As cotações do petróleo hoje fecharam em forte alta, refletindo a intensificação do conflito entre Estados Unidos e Irã e os temores de novas interrupções nas principais rotas globais de transporte de petróleo. O avanço da commodity recolocou inflação e política monetária no centro das atenções dos investidores, ao mesmo tempo em que beneficia empresas ligadas ao setor de óleo e gás.
Nesta quarta-feira (22), o barril do Brent para setembro encerrou com valorização de 3,36%, negociado a US$ 94,07, enquanto o WTI avançou 2,95%, para US$ 86,83.
O movimento ocorreu após a 11ª noite consecutiva de ataques dos Estados Unidos contra alvos iranianos e novas retaliações de Teerã a aliados de Washington na região do Golfo. O mercado também acompanhou as ameaças à navegação no Mar Vermelho e no estreito de Bab el-Mandeb, corredores estratégicos para o comércio internacional de energia.
Conflito na Ásia Ocidental amplia prêmio de risco do petróleo
A guerra no Oriente Médio opera como principal fator por trás da valorização da commodity. Depois das preocupações envolvendo o Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de um quinto do petróleo transportado no mundo, investidores monitoram também a segurança de outras rotas estratégicas para o abastecimento global.
Nos últimos dias, ameaças dos houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã, ao tráfego marítimo no Mar Vermelho e em portos sauditas elevaram novamente o prêmio de risco incorporado aos preços do petróleo.
O casamento entre o avanço das operações militares e o receio de interrupções logísticas levou o Brent a superar novamente o patamar de US$ 93 por barril, nível que não era observado antes da recente escalada do conflito.
Alta do “ouro negro” reforça preocupações com inflação
O avanço do petróleo também influenciou as expectativas para a política monetária das principais economias.
Combustíveis mais caros costumam elevar custos de transporte, produção e logística, dificultando o processo de desaceleração da inflação. Por isso, investidores acompanham os desdobramentos da guerra com atenção redobrada, diante da possibilidade de que bancos centrais tenham menos espaço para reduzir juros nos próximos meses.
Nesta quarta-feira, os juros futuros brasileiros operaram pressionados pela alta da commodity, enquanto os rendimentos dos Treasuries americanos, títulos do Tesouro estadunidense, mostram comportamento misto. O dólar apresenta oscilações limitadas frente às moedas emergentes, mas a valorização do petróleo oferece suporte ao real ao favorecer países exportadores da commodity.
Brasil acompanha petróleo e tarifaço dos Estados Unidos
No cenário doméstico, além da disparada do petróleo, o mercado monitorou os efeitos do tarifaço imposto pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
A tarifa de 25% entrou em vigor nesta quarta-feira, enquanto permanece a expectativa de que Washington anuncie, na sexta-feira (24), uma nova alíquota de 12,5%. O governo brasileiro ainda aguarda esclarecimentos sobre a possibilidade de essa cobrança ser cumulativa.
Segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a nova tarifa poderá atingir aproximadamente 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a US$ 7,4 bilhões considerando os embarques de 2024. Pela pauta exportadora de 2025, o percentual cai para cerca de 15%, ou US$ 5,8 bilhões.
Também nesta quarta-feira, a Confederação Nacional da Indústria manteve a projeção de crescimento de 2% para o PIB brasileiro em 2026, mas elevou suas estimativas para a inflação e para a atividade industrial. A entidade passou a prever IPCA [Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo] de 5% neste ano, ante estimativa anterior de 4,4%, e afirmou que o ambiente fiscal e inflacionário reduz o espaço para cortes mais intensos da Selic.
Setor de petróleo permanece no foco da Bolsa
A valorização do óleo mineral favoreceu empresas produtoras de petróleo listadas na B3, como Petrobras (PETR3; PETR4), Prio (PRIO3), Brava Energia (BRAV3) e PetroReconcavo (RECV3), uma vez que preços internacionais mais elevados ampliam a geração de caixa das companhias exportadoras.
O movimento se refletiu nas negociações desta tarde, com Petrobras ON avançando 2,57%, Petrobras PN subindo 2,26%, Prio ganhando 2,01%, PetroReconcavo avançando 3,48% e Brava Energia em alta de 1,14%, acompanhando a disparada da commodity no mercado internacional.
O avanço do petróleo também ajudava a sustentar o desempenho do Ibovespa, que operava em alta de 2,14% apoiado ainda pela valorização das ações da Vale (VALE3).
Ao mesmo tempo, investidores atentam-se aos possíveis impactos da alta do petróleo sobre os preços domésticos dos combustíveis, fator que pode influenciar a inflação brasileira e as expectativas para os próximos passos da política monetária.
Nos Estados Unidos, a disparada das cotações também reforça preocupações inflacionárias, o que ajuda a explicar a leve alta dos rendimentos dos Treasuries e reduz o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
No Brasil, embora os juros futuros operem próximos da estabilidade, o viés permanece de alta nos vencimentos curtos e intermediários, enquanto o dólar recua frente ao real.
Com informações da Broadcast.
