As cotações do petróleo hoje fecharam em forte alta e recolocam o risco geopolítico sob os holofotes dos mercados globais. Depois de três sessões consecutivas de queda, os contratos futuros recuperaram parte das perdas diante da retomada das tensões entre Estados Unidos e Irã, enquanto investidores monitoraram possíveis interrupções na oferta mundial da commodity.
Nesta quarta-feira (29), o Brent para outubro encerrou em alta de 7,32%, cotado a US$ 88,09 por barril. O WTI para setembro subiu 6,56%, a US$ 84,46.
Petróleo reage à nova escalada entre EUA e Irã
O principal gatilho para a alta veio da deterioração do cenário militar no Oriente Médio.
Segundo a Fox News, Trump afirmou que os Estados Unidos pretendem atacar “fortemente” o Irã em resposta às ofensivas iranianas contra alvos americanos na Jordânia. A declaração fez o mercado voltar a incorporar um prêmio de risco aos preços do petróleo, após dias marcados por expectativas de uma solução diplomática.
Ao mesmo tempo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) informou que Teerã interceptou petroleiros no Estreito de Ormuz e voltou a afirmar que controla a passagem estratégica.
Outro fator que ampliou a preocupação dos investidores foi a rejeição, pelo Irã, de uma proposta apresentada por Omã para uma gestão conjunta de Ormuz. Segundo informações divulgadas por canais ligados à Guarda Revolucionária, o plano “não tem qualquer chance de sucesso” e não atende aos interesses iranianos.
Além disso, surgiram relatos de que os houthis, grupo armado do Iêmen apoiado pelo Irã, estudam cobrar taxas de embarcações comerciais que cruzam o sul do Mar Vermelho, elevando novamente as preocupações com a segurança das principais rotas marítimas da região.
Mercado volta a precificar risco para a oferta
Embora as negociações diplomáticas entre Washington e Teerã tenham reduzido temporariamente a pressão sobre as cotações nos últimos dias, o mercado considera que o risco de interrupção do fornecimento continua elevado.
O Estreito de Ormuz figura como um dos principais pontos de atenção. A via responde por aproximadamente um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima no mundo e qualquer restrição ao tráfego tem potencial para provocar impactos relevantes sobre a oferta global.
As ameaças também se estendem ao Mar Vermelho, outra rota estratégica para o comércio internacional de petróleo.
Petróleo volta ao radar do Fed
A recuperação das cotações ocorre justamente no dia em que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) anuncia sua decisão de política monetária.
Depois de o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) brasileiro surpreender positivamente e reforçar as apostas de corte da Selic na próxima semana, a alta do petróleo devolve parte das preocupações com a inflação global. Combustíveis mais caros tendem a pressionar custos de transporte, energia e logística, reduzindo o espaço para flexibilizações monetárias ao redor do mundo.
Por isso, investidores acompanham com atenção não apenas a decisão sobre os juros americanos, que optou por manter as taxas na faixa de 3,5% a 3,75% ao ano, como também acompanha a entrevista do presidente do Fed, Kevin Warsh, em busca de sinais sobre os próximos passos da política monetária.
Petrobras acompanha avanço do petróleo
No Brasil, a retomada da alta do petróleo impulsiona as ações das empresas de óleo e gás na B3. Por volta das 16h10, a Petrobras (PETR3) avançava 2,33%, enquanto Petrobras (PETR4) subia 1,92%, refletindo tanto a valorização do Brent quanto os dados operacionais divulgados pela estatal na véspera.
O movimento também beneficiava outras produtoras independentes. Prio (PRIO3) ganhava 3,42%, PetroReconcavo (RECV3) avançava 1,86% e Brava Energia (BRAV3) tinha leve alta de 0,05%.
Além do cenário externo, os investidores repercutem o crescimento de 14,4% na produção de petróleo e gás da Petrobras no segundo trimestre, resultado que reforçou a percepção de uma companhia com maior capacidade de captura de receitas em um ambiente de preços elevados da commodity.
Apesar do desempenho positivo das petroleiras, o mercado continua atento aos possíveis reflexos de uma escalada do petróleo sobre os preços dos combustíveis, a inflação brasileira e as expectativas para a trajetória da Selic nos próximos meses.
