Os preços do diesel recuaram nesta segunda-feira (12) depois que Donald Trump afirmou que Rússia e Ucrânia haviam firmado um “cessar-fogo energético”, embora analistas tenham alertado que qualquer acordo dificilmente traria um alívio duradouro aos custos globais dos combustíveis.
Os preços do diesel na Europa caíram 5%, para US$ 1.410 por tonelada, na manhã de segunda-feira, antes de se recuperarem para cerca de US$ 1.450. O petróleo Brent, referência internacional, caiu no início das negociações, mas depois avançava 1,2%, a US$ 106 por barril.
Os movimentos ocorreram depois que o presidente dos Estados Unidos disse, no domingo, que havia um “cessar-fogo energético” na guerra da Ucrânia.
“Com efeito imediato, há um CESSAR-FOGO ENERGÉTICO na guerra entre Rússia e Ucrânia”, escreveu Trump no domingo (11), em sua plataforma Truth Social. “Ambas as partes concordaram. Não o violem!”
Apesar do anúncio de Trump, não estava claro se esse cessar-fogo entraria de fato em vigor.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse no domingo que era “importante que [o cessar-fogo energético] se torne realidade”, acrescentando que forças russas haviam atacado uma usina de energia em Kharkiv naquela noite.
Não ficou imediatamente claro se a Rússia havia concordado com o acordo de Trump.
O anúncio ocorreu após um acordo com Moscou divulgado pelo presidente dos Estados Unidos na sexta-feira (9), que liberou diesel russo para o mercado global enquanto Washington tenta conter os preços dos combustíveis antes das eleições de meio de mandato de novembro.
Inicialmente, os operadores do mercado não deram muita importância à medida, e os preços do diesel na Europa fecharam a sexta-feira com queda de apenas 1,7%. Nos Estados Unidos, os preços caíram mais: o diesel no atacado para entrega em Nova York recuou 3% na sexta-feira e mais 0,8% na segunda-feira, sendo negociado a US$ 4,70 por galão. Apesar das quedas, os preços continuam próximos das máximas registradas durante a guerra, com o diesel nos Estados Unidos cerca de 75% acima do nível anterior ao conflito e o diesel europeu aproximadamente 95% mais caro.
Analistas disseram que o pequeno volume das exportações de diesel prometidas pela Rússia significava que haveria pouquíssimo impacto sobre a oferta global no curto prazo.
Qualquer possibilidade de aumentar as exportações ao longo do tempo -como solicitado por Trump- depende da capacidade da Rússia de reparar suas refinarias, duramente atingidas pela Ucrânia.
Jim Reid, chefe global de pesquisa macroeconômica do Deutsche Bank, afirmou que, embora o retorno do diesel russo aos mercados globais ajudasse a conter os preços, “os ataques ocorridos durante a noite tornam o cessar-fogo cada vez mais incerto e evidenciam as tensões entre Washington e Kyiv”.
O governo Trump ameaçou suspender o sistema de compras que fornece armas à Ucrânia para pressionar Kyiv a interromper seus ataques em profundidade contra a infraestrutura energética russa, informou o FT no domingo.
A publicação do presidente nas redes sociais representa o mais recente esforço dos Estados Unidos para reduzir os custos de energia, que dispararam em consequência da guerra da Rússia contra a Ucrânia e da guerra dos Estados Unidos contra o Irã. Os altos preços do petróleo e do diesel estão prejudicando a popularidade de Trump e de seu Partido Republicano antes das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, no início de novembro.
“Dada a situação político-econômica, há uma forte pressão para fazer mais”, disse Anthony Yuen, chefe de estratégia de energia do Citigroup, observando que os distritos de tendência republicana “costumam consumir mais diesel”.
Wei Li, chefe de investimentos multativos do BNP Paribas Securities China, afirmou que o otimismo em torno do acordo com o presidente russo, Vladimir Putin, ajudou a reduzir os contratos futuros de óleo para aquecimento nos Estados Unidos.
As quedas ocorreram mesmo após forças houthis lançarem ataques com mísseis contra o aeroporto internacional de Riad no sábado.
O ataque à capital da Arábia Saudita matou pelo menos 12 pessoas e deixou mais de 300 feridos. Um segundo ataque, no domingo, matou uma pessoa e feriu outras 11.
As forças rebeldes houthis do Iêmen vêm atacando a vizinha Arábia Saudita, que apoia o governo central iemenita em uma guerra civil iniciada em 2014.
Yuen acrescentou que a retomada, na semana passada, das exportações chinesas de derivados de petróleo também estava contribuindo para a queda dos preços do diesel. “O volume exportado pela China pode ser equivalente ou superior ao volume russo”, afirmou.
(Financial Times, William Sandlund e Verity Ratcliffe)
