Uma eventual suspensão das exportações do diesel produzido nos Estados Unidos representaria mais um duro golpe da administração de Donald Trump à economia brasileira, ao mesmo tempo em que prejudicaria a própria indústria petrolífera americana.
Em barris por dia, o Brasil foi o maior comprador de diesel e gasolina dos EUA em setembro, até meados do mês, à frente de países como México, Chile, Reino Unido e Holanda, de acordo com dados da plataforma Vortexa (ver gráfico).
Pelo dados oficiais do governo americano, em bilhões de dólares até julho, e considerando apenas diesel, o Brasil aparece em terceiro, atrás apenas de Holanda e México. No ano, foram US$ 2,9 bilhões em vendas de diesel americano para o Brasil, o maior volume para o período desde 2022, quando somou US$ 4,6 bilhões, na esteira da guerra entre Rússia
Assim como após estourar o conflito no Leste Europeu, o Brasil voltou a trocar óleo russo por americano este ano. Do total de diesel importado pelo Brasil, a participação dos EUA era de 36% em janeiro, caiu a 1% em março, mas, desde então, voltou a crescer, chegando a 73% em agosto. Já a participação da Rússia, que era de 90% em abril, caiu para apenas 4% em agosto.
Embora o Brasil seja um exportador líquido de energia, a capacidade de refino limitada o torna fortemente dependente da importação de combustíveis refinados, particularmente o diesel, diz o J.P. Morgan. O banco estima que cerca de 25% do consumo de diesel no Brasil é suprido por importações.
Desde julho, em meio à proibição de exportação pela Rússia e interrupções contínuas nas refinarias, o Brasil redirecionou parte das compras para outros fornecedores. “No ano passado, o Brasil importava mais de 60% de seu diesel da Rússia; atualmente, cerca de 40% proveem dessa origem. Em termos mensais, a participação da Rússia caiu recentemente para bem abaixo desse patamar, com os EUA respondendo por mais de 70% das importações de diesel em agosto”, diz o banco. Para ler esta notícia, clique aqui.
