Petróleo despenca para US$ 90 após Trump dizer que guerra no Irã está ‘praticamente encerrada&a

 

O petróleo chegou a disparar quase 30% e ficar próximo de US$ 120 pelo barril nesta segunda-feira (9) antes de sofrer uma forte queda que levou o preço do barril para cerca de US$ 90, a maior variação intradia já registrada.

A derrocada ocorreu ao longo desta segunda e se intensificou após Donald Trump afirmar que a guerra no Irã está “praticamente encerrada” e que não há “mais nada em termos militares” no país. O Brent, referência global, encerrou o dia cotado a US$ 89,79, enquanto o WTI, referência americana, recuou para US$ 85,02.

“Eles não têm marinha, não têm comunicações, não têm força aérea. Seus mísseis estão reduzidos a poucos. Seus drones estão sendo destruídos por toda parte, incluindo suas fábricas de drones. Se você olhar, não sobrou nada”, disse ele em entrevista à CBS nesta segunda.

As quedas deixam ambos os contratos de petróleo próximos dos níveis de fechamento de sexta-feira (6), mas ainda acima dos valores anteriores ao início do conflito, de cerca de US$ 73 para o Brent.

Desde o início da guerra, o preço da commodity vem subindo, aumentando os riscos para a economia global e a estabilidade da inflação. A disparada de preços foi causada pela ameaça de redução no fluxo de transporte do petróleo, já que a passagem no estreito de Hormuz, entre o Irã e Omã e por onde passa 20% da produção global, foi interrompida.

Analistas, no entanto, atribuem o risco do petróleo em um nível mais alto por mais tempo a uma guerra prolongada, enquanto a fala de Trump à CBS aponta para o sentido oposto. Mais tarde, no entanto, o presidente voltou a falar em novos ataques.

A negociação do barril Brent começou a sessão em US$ 92,69, foi subindo e atingiu o ápice às 23h30 (horário de Brasília) de domingo (8), cotado a US$ 119,46, no maior valor desde 29 de junho de 2022, no auge da guerra da Ucrânia. No mesmo horário, o barril WTI também chegou a disparar quase 30% e atingir a marca de US$ 119,43.

Na noite desta segunda, Trump aboudou o assunto em entrevista a jornalistas durante evento na Flórida. O presidente americano disse que a guerra vai “acabar bem rápido”, mas que os EUA ainda não venceram o bastante.

Trump afirmou que, se necessário, os EUA farão escolta de navios no estreito de Hormuz e atingirão o Irã “muito, muito mais forte”, se o bloqueio da passagem de combustíveis continuar.

No Brasil, o risco refere-se principalmente à defasagem entre os preços do mercado internacional e os praticados pela Petrobras. Na abertura do mercado desta segunda, o litro da gasolina vendido nas refinarias da Petrobras estava em R$ 1,22, ou 49% mais barato do que a paridade de importação medida pela Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis).

No caso do diesel, que já vinha sendo vendido com elevada defasagem antes mesmo do início da guerra no Irã, a diferença era de R$ 2,74 por litro, ou de 85%. Na sexta (6), a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, sinalizou que a estatal ainda considera prematuro falar em reajustes.

Antes das falas de Trump, os ganhos já haviam começado a sumir após a informação de que o G7, o grupo das maiores economias do mundo, considerava uma liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo.

Porém, por volta das 11h30 (de Brasília), o ministro de Finanças da França, Roland Lescure, afirmou que não houve um acordo sobre o uso da reserva. Em nota, o G7 afirmou que “acompanha de perto a situação” e que está preparado para implementar medidas necessárias.

A AIE (Agência Internacional de Energia) defendeu a liberação coordenada de reservas emergenciais de petróleo na reunião dos ministros das finanças do G7, que contou ainda com executivos da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico), do Banco Mundial e do FMI (Fundo Monetário Internacional).

No final de semana, Trump afirmou em sua rede social Truth Social que os movimentos de curto prazo são “um preço muito pequeno a pagar” para os EUA, o mundo e a paz. Ele acrescentou que os preços cairão rapidamente “quando a destruição da ameaça nuclear iraniana acabar”.

O presidente dos EUA disse no evento da Flórida na noite desta segunda que sabia que os preços de petróleo e gasolina subiriam antes mesmo do início da guerra, mas minimizou a alta ao dizer que “subiram menos do que o esperado”.

Trump também disse que o governo está abrindo mão de sanções a alguns países como parte dos esforços para garantir o fornecimento adequado de petróleo e preços mais baixos em meio ao conflito no Oriente Médio, mas se recusou a dar detalhes.

Para analistas, a opção de liberar reservas de emergência é uma solução paliativa. “As alternativas são limitadas, como recorrer às reservas estratégicas de petróleo, mas em comparação com a magnitude potencial da interrupção do fornecimento se o estreito permanecer fechado por mais tempo, elas são uma gota no oceano”, afirmou o analista do UBS Giovanni Staunovo.

O prêmio dos contratos de carregamento do Brent no primeiro mês sobre os contratos para entrega em seis meses disparou para uma máxima histórica nesta segunda de quase US$ 36, segundo dados da LSEG que remontam a 2004.

Esse prêmio indica uma estrutura de mercado conhecida como backwardation, mostrando que os traders veem uma intensa escassez de oferta no momento.

A nomeação de Mojtaba Khamenei para suceder seu pai Ali Khamenei como líder supremo do Irã também alimentou a alta de preços, sinalizando que os linha-dura permanecem no comando em Teerã uma semana após o início do conflito com EUA e Israel.

A guerra pode deixar consumidores e empresas em todo o mundo enfrentando semanas ou meses de preços mais altos de combustíveis, mesmo que o conflito termine rapidamente, enquanto os fornecedores lidam com instalações danificadas, logística interrompida e riscos elevados para o transporte marítimo.

 

Autor/Veículo: Folha de S.Paulo

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