O diesel da Rússia continua como a principal fonte para as importações brasileiras mesmo com a guerra no Oriente Médio e a competição mais acirrada no mercado internacional pelos combustíveis.
- Em abril, o Brasil importou 1,2 bilhão de litros de diesel, sendo que 1,1 bilhão de litros veio da Rússia, segundo dados do Comex Stat.
- O restante veio dos Estados Unidos.
Os dados indicam que o Brasil conseguiu manter acesso ao produto importado em meio à redução da disponibilidade de petróleo e derivados no mercado internacional, ainda que a um custo mais caro.
- Segundo dados da ANP, com base em informações da S&P Global Commodity Insights, no final de abril o preço de paridade de importação (PPI) para o diesel no Brasil atingiu o maior patamar dos últimos meses, a R$ 5,73 por litro em média, na semana de 27 de abril a 1º de maio.
- Desde então, houve um recuo: a média na semana encerrada em 22 de maio foi de R$ 5,33 por litro.
- Como comparação, na semana antes da guerra no Oriente Médio, o preço médio era de R$ 3,48 por litro.
Vale lembrar que o diesel importado também tem direito ao subsídio do governo brasileiro em vigor desde 13 de março para aliviar o impacto da alta internacional nos preços.
- O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, sinalizou na segunda-feira (25/5) que há disposição do governo federal em prorrogar a subvenção ao diesel.
- Com a medida provisória 1358, editada em 14 de maio, o governo federal permitiu que a subvenção que será dada à gasolina seja usada para substituir a medida original para o diesel, por mais tempo.
A disponibilidade do produto russo no mercado, no entanto, é uma fonte de preocupação, dados os constantes ataques contra a infraestrutura do país, envolvido em uma guerra com a Ucrânia desde 2022.
- Na sexta (22/5), drones ucranianos atingiram o terminal petrolífero de Novorossiysk, um dos principais pontos de exportação da Rússia. (AFP/O Globo)
O Brasil importa cerca de 30% do diesel que consome, mas nas últimas semanas a ampliação do fator de utilização das refinarias da Petrobras ajudou a reduzir a necessidade de importação.
- A previsão, no entanto, é que, com a chegada do período da safra e o momento de pico de consumo por combustíveis no país, seja necessário voltar a ampliar as compras no mercado internacional a partir de junho.
A Rússia se mantém como uma fonte de suprimento para o Brasil desde 2022, quando a Europa e os EUA impuseram sanções contra produtos russos pela invasão à Ucrânia.
- Apesar de o Brasil não ter aderido às sanções, as empresas brasileiras negociam sob o teto de preços.
- EUA e Reino Unido chegaram a sinalizar alguns alívios nas sanções em meio à crise internacional com o fechamento do Estreito de Ormuz, mas a Europa manteve as restrições.
