Postos e distribuidoras de combustível ganham até 68% mais na guerra do Irã

15 de setembro de 2026

Apesar do incentivo de R$ 37,5 bilhões do governo federal para segurar os preços dos combustíveis no Brasil, distribuidores e postos de combustíveis aumentaram suas margens brutas de lucro em até 68% durante a guerra iniciada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irã em 28 de fevereiro. Essas margens subiram até 119% desde 2021, segundo cálculos do Ibeps (Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais) com dados da ANP (Agência Nacional do Petróleo) e do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O que você precisa saber

O aumento nas margens da gasolina durante a guerra foi 12 vezes superior à inflação do período. Entre 28 de fevereiro e 5 de setembro, o ganho bruto aumentou 24,7% para esse combustível, contra uma inflação de 2,05% entre 28 de fevereiro e 31 de agosto, segundo o IPCA (a inflação oficial do Brasil) divulgado na sexta-feira (11) pelo IBGE.

Esse aumento foi ainda maior para o diesel S10. As margens brutas saltaram 68,7% durante a guerra, 33 vezes a inflação do período.

As margens das distribuidoras de botijão de gás de 13 kg (GLP) foram menores, mas também superaram a inflação. O aumento foi de 5,2% em comparação com o período anterior à guerra.

O aumento nas margens brutas de lucro é ainda maior se comparadas com 2021. Desde janeiro daquele ano, os lucros do diesel S10 subiram 119,7% em valores corrigidos pela inflação. Para o GLP, a alta foi de 49,2%. No mesmo período, a inflação acumulada foi de 37,3%. Apenas as margens da gasolina ficaram abaixo do IPCA: 32,7%.

Um estudo de 2024 mostrou que a margem líquida de lucros para o GLP beirou os 200%. A média passou de 7,7% em 2019 para 13,7% em 2023. “Quando auferida em reais por tonelada (R$/t), a margem líquida passa de R$ 285,22/t para R$ 821,90/t, salto de 188%”, diz a EPE (Empresa de Pesquisa Energética).

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Autor/Veículo: UOL