O etanol hidratado comercializado nos postos de combustíveis do Brasil poderá ter mudanças importantes na cor e, pasme, até no sabor em breve.
As novidades propostas pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) visam combater o desvio na distribuição e sua utilização na produção de bebidas alcóolicas falsificadas.
Corante para identificar uso de etanol em bebidas
Uma das propostas é a adição obrigatória de um corante verde ao etanol hidratado, algo que ocorreria ainda nas usinas. Dessa maneira, o combustível poderia ser identificado com maior facilidade em caso de uso na fabricação irregular de bebidas. A ANP propõe a implementação da mudança ao longo de 2027.
Só que a adoção da novidade não seria tão simples assim. Para tanto, a ANP pretende iniciar a revisão da Resolução ANP nº 907, de 2022. O processo ainda precisaria passar por análise de impacto regulatório ou nota técnica, consulta e audiência públicas e, por fim, deliberação da Diretoria Colegiada.
A norma também estabeleceria um prazo de transição para a adaptação de produtores, distribuidores e demais empresas do setor.
A decisão ainda não está tomada, uma vez que todas as etapas previstas precisam ser concluídas antes que a revisão da resolução seja aprovada.
Sabor etanol?
Já a segunda solução, que é apontada como definitiva, é a adição obrigatória de benzoato de denatônio ao etanol hidratado combustível. A substância tem sabor extremamente amargo e permitiria que o consumidor percebesse a adulteração caso o combustível fosse utilizado ilegalmente na produção de uma bebida alcoólica.
O benzoato de denatônio é encontrado em produtos de higiene e limpeza que contêm etanol, justamente para evitar a ingestão acidental ou diferenciar esses produtos de bebidas.
A ANP diz que, por ora, não há precedentes de sua aplicação em etanol destinado ao abastecimento de veículos. Isso exigiria uma nova fase de avaliações técnicas.
A agência realizará testes mecânicos para verificar se a substância pode causar efeitos adversos em componentes do veículo ou alterações relevantes nas emissões de poluentes.
Justamente por isso é que não há previsão de quando o etanol “saborizado” possa chegar aos postos brasileiros.
Necessidade surgiu após recomendação do Tribunal de Contas da União
O estudo da ANP atende à Resolução nº 6 de 2026 do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Ela nasceu após os casos de desvio de etanol combustível para a fabricação clandestina de bebidas, que, inclusive, causaram várias mortes em 2025.
A iniciativa também responde a uma recomendação do Tribunal de Contas da União (TCU), que realizou uma auditoria sobre a prevenção e repressão à adulteração de bebidas alcoólicas e os riscos à saúde da população.
As alternativas foram estabelecidas após a ANP reunir produtores de etanol, distribuidoras de combustíveis, empresas de inspeção da qualidade, fornecedores de corantes, representantes da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) e integrantes da Câmara Setorial da Cachaça.
A agência também conduziu testes físico-químicos nas dependências de seu Centro de Pesquisas e Análises Tecnológicas.
Os resultados foram compilados em um relatório encaminhado ao Ministério de Minas e Energia, que preside o CNPE, e ao TCU.
Autor/Veículo: O Estado de S. Paulo
