As bombas voltaram a cair no Oriente Médio, com militares dos EUA realizando 90 ataques na infraestrutura do Irã na quarta-feira, enquanto os iranianos lançavam drones e mísseis em bases americanas de Catar, Bahrein e Kuwait. A origem da retomada dos conflitos foi a decisão do regime dos aiatolás de atacar navios petroleiros na segunda-feira, porque não seguiram a rota por ele designada. É impossível prever se a guerra será retomada com força total ou se o episódio é mais um de uma longa série de uma trégua mal negociada e ambígua.
Há certeza, porém, de que o tráfego no Estreito de Ormuz, que escoa 20% do petróleo e gás natural do mundo, foi interrompido sem ter ao menos voltado a seu fluxo normal em nenhum momento desde 28 de fevereiro, quando o presidente Donald Trump deu início a uma aventura militar irresponsável, que agora não sabe como acabar.
A interrupção de Ormuz encontra a economia global com estoques de petróleo baixos, consumidos para suprir a demanda nos meses de guerra aberta.
As cotações do Brent caíram ontem para US$ 75 o barril, refletindo expectativas que olham para o passado e que indicam que aos EUA não interessa o recrudescimento do confronto, enquanto as declarações contraditórias de Trump sancionam tanto ataques devastadores como a continuação das conversas.
Trump está acuado por eleições de meio de mandato que podem torná-lo um presidente sem poderes se os democratas tomarem o controle de Câmara e do Senado, e não tem boas opções para escapar da armadilha em que se meteu. Os mercados, por enquanto, refreiam apostas de que o estrangulamento da oferta se prolongará muito e as cotações finalmente explodirão.
O aumento da escassez é um fato óbvio, agravado agora pelos dissabores enfrentados por outro presidente autoritário metido em uma guerra de mais de quatro anos, sem fim à vista: o russo Vladimir Putin — e sua invasão da Ucrânia.
A Ucrânia bombardeou desde abril as 10 maiores refinarias de petróleo do segundo maior produtor mundial de óleo e diesel. Em junho, o governo russo começou a limitar vendas de gasolina, e na quarta-feira suspendeu as exportações de diesel. O diesel é vital para a agricultura, a indústria, parte do transporte terrestre de mercadorias e, no caso russo, para o vital abastecimento de tanques e veículos militares em suas linhas em solo ucraniano.
O gargalo da oferta agora se estreitou ainda mais. Embora as cotações do petróleo bruto tenham recuado para a casa dos US$ 70 o barril após 17 de junho, quando foi assinado o memorando de entendimento entre EUA e Irã, as cotações do diesel permaneceram nas alturas, em US$ 135 o barril (FT, ontem). O anúncio da suspensão das exportações russas elevou as cotações em 13% na quarta-feira.
A saída da Rússia do mercado global de diesel causará mais problemas ao Brasil, o maior cliente russo, que, em 2025, importou cerca de 64% do total exportado pelo país. As dificuldades de garantir o abastecimento levaram Moscou a reduzir exportações do derivado em maio, e em junho o Brasil buscou ampliar as compras dos EUA e da Índia. Para ler esta notícia, clique aqui.
