Importação de diesel programada para novembro chega a 1 bilhão de litros

3 de novembro de 2026

A importação de diesel programada para novembro soma 1 milhão de metros cúbicos (m³), ou 1 bilhão de litros, em 17 navios. O volume é 59% maior que o previsto numa estimativa de 27 de outubro.

Refeita com a programação atualizada, a conta passa a indicar sobra de 167,7 mil m³ de diesel S10 no mês. A estimativa de 27 de outubro apontava déficit de 205 mil m³, ou 5,7% da demanda. Os dados foram obtidos pela eixos nesta sexta (30/10).

Nessa estimativa, a demanda de diesel A S10 (sem mistura de biodiesel) em novembro é de 3,6 milhões de m³. A oferta soma 3,4 milhões de m³, com 2,5 milhões de produção nacional, 631 mil de importação e 193 mil de estoque remanescente de setembro.

Em 22 de outubro, os estoques de diesel somavam 2 milhões de m³.

Para novembro, também estão programados 305,8 mil m³ de gasolina importada, em sete navios. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) acompanha a realização dos embarques, das descargas e da distribuição dos volumes.

Agentes trocam S500 por S10

Na Bahia, a ANP recebeu pedidos para autorizar, em caráter excepcional, a venda de diesel S10 como S500. A área técnica da agência consultou empresas da região, considerou os pedidos pertinentes e vai levar o processo à diretoria colegiada.

Os combustíveis têm especificações próprias definidas pela ANP, e o S500, com mais enxofre, é tingido de vermelho para não ser confundido com o S10. Por isso, vender S10 como S500 depende de autorização da agência.

O pedido baiano repete o do Rio Grande do Sul. Em decisão comunicada em 7 de outubro, a diretoria da ANP autorizou a reclassificação de S10 como S500 para o mercado gaúcho, em caráter excepcional, até 30 de novembro, sem prorrogação automática.

Lá, a autorização vale só para diesel destinado ao estado e já estocado como S10, que recebe o corante por meio de empresa de inspeção credenciada. A distribuidora precisa informar previamente à ANP o volume que vai converter.

O que falta é o diesel mais barato. O S500, usado sobretudo no campo e em veículos mais antigos, subiu 4,8% nos postos em outubro, para R$ 7,2 por litro na média nacional, segundo a Edenred Ticket Log. A alta é quase o dobro da registrada pelo S10.

No Rio Grande do Sul, o S500 subiu 11% entre o início de setembro e o início de outubro, para R$ 7 por litro, e o S10, 9,9%, para R$ 7,2, segundo o levantamento semanal da ANP.

Em 29 de setembro, a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) levou à ANP relatos de falta de S500 para entrega nas propriedades rurais em cidades como Santa Bárbara, Pelotas e Lavras do Sul. Nessas cidades, o S10 era cotado de R$ 7,3 a R$ 7,7 por litro.

No estado, as distribuidoras informaram à agência que aumentaram a oferta diária aos transportadores-revendedores-retalhistas (TRRs) no polo de Canoas, anteciparam lotes de S500 e receberam volumes adicionais da Petrobras. Os TRRs levam o diesel ao produtor rural.

O S500 gaúcho também perdeu um fornecedor. Em setembro, a Refinaria Riograndense, que os sócios avaliam converter em biorrefinaria, não vendeu diesel às distribuidoras do estado, contra 16,9 mil m³ um ano antes, quase tudo S500. A Petrobras colocou 12,9 mil m³ a mais de S500 no Rio Grande do Sul, segundo dados da ANP.

Preço do diesel S10 sobe 19,4% em 12 meses

O diesel S10 custou em média R$ 7,4 por litro nos postos em outubro, alta de 2,5% sobre setembro, segundo o índice da Ticket Log. Em 12 meses, a alta é de 19,4%, segundo o Monitor de Preços dos Combustíveis da Veloe com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe).

Nas refinarias, a pressão continua. No fechamento de 28 de outubro, a defasagem média do diesel da Petrobras em relação à paridade de importação era de R$ 3,9 por litro, ou 118% sobre o preço da estatal, segundo a Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom). Na média do mercado, a defasagem era de R$ 3,6 por litro, ou 105%.

A Acelen, dona da refinaria de Mataripe, na Bahia, aumentou o diesel S10 em R$ 0,3 por litro, para R$ 5 em Aratu, contra R$ 3,2 a R$ 3,4 nos polos da Petrobras.

O Brent fechou nesta quinta (29/10) a US$ 110,8 o barril, com novas tentativas de acordo entre EUA e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio.
EUA lideram importação de diesel mesmo com alívio de sanções à Rússia

Doze dos 17 navios de diesel programados para novembro vêm dos EUA, com 632,7 mil m³, ou 63% do total. A Índia tem um navio de 150 mil m³ (15%), e a Rússia, dois, com 93 mil m³ (9%). Outros dois, com 128 mil m³, ainda não têm origem definida.

A participação norte-americana cresceu ao longo do ano. De julho a setembro, 70% do diesel importado pelo Brasil veio dos EUA, segundo o Comex Stat, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Em setembro, foram 74%.

A Rússia forneceu 47% do diesel importado pelo país em 2025 e chegou a 91% em abril deste ano. Em julho, proibiu as exportações, depois de ataques ucranianos às suas refinarias, e, em setembro, caiu a 6% das compras brasileiras. No mesmo mês, o presidente dos EUA, Donald Trump, defendeu suspender as exportações de diesel norte-americanas.

Em 9 de outubro, depois de um telefonema entre Trump e o presidente russo, Vladimir Putin, o Tesouro dos EUA liberou até abril de 2027 as transações com diesel russo. No dia seguinte, a Rússia autorizou a exportação de 500 mil toneladas. As proibições da União Europeia e do Reino Unido ao diesel russo continuam em vigor.

De janeiro a setembro, o Brasil importou 9,1 milhões de toneladas de diesel, 13,5% menos que no mesmo período de 2025. O gasto subiu 33%, para US$ 9,2 bilhões, com preço médio de US$ 1.010 por tonelada, 53% acima do registrado um ano antes.

Distribuidoras tentam antecipar pedidos de diesel

Entre 26 e 30 de outubro, surgiram relatos pontuais de dificuldade na compra de diesel, e as distribuidoras tentaram antecipar pedidos.

A Petrobras aprovou para novembro volumes menores que os de novembro de 2025, e a redução também aparece no acumulado do ano. A ANP recebeu reclamações sobre as aprovações e deve se reunir com a estatal na próxima semana.

O movimento repete o de outubro, mês de pico do consumo. Em setembro, a demora na regulamentação do subsídio de R$ 1 por litro atrasou a confirmação das cargas importadas para outubro. As distribuidoras concentraram os pedidos na Petrobras, que, até meados de setembro, atendia 73% do diesel S10 pedido nos polos gaúchos, como mostrou a eixos.

Uma fonte ouvida pela eixos avalia que a demanda de novembro está coberta pelas importações e que a Petrobras mantém a mesma flexibilidade que deu às distribuidoras em outubro.
Leilão de gás de cozinha derrubou diretor da Petrobras

A ferramenta da Petrobras para lidar com antecipação de pedidos é o leilão. A estatal vende por cotas, calculadas pela média de retiradas de cada distribuidora, e o volume adicional pode ir a leilão, em que as distribuidoras pagam um prêmio sobre o preço de tabela. Na prática, a estatal vende parte do volume mais caro sem reajustar a tabela.

Em março, no início da guerra entre EUA, Israel e Irã, a Petrobras vendeu diesel em leilões a preços até 75% acima da tabela e chegou a ofertar 240 milhões de litros num único leilão. Na gasolina, cancelou os leilões e passou a antecipar os pedidos das distribuidoras pelos preços normais.

No gás liquefeito de petróleo (GLP), o leilão de 31 de março saiu com preços acima do dobro da tabela. O presidente Lula (PT) mandou anular o resultado. Em 6 de abril, o conselho da Petrobras encerrou antes do prazo o mandato do diretor de Logística, Comercialização e Mercados, Claudio Schlosser, responsável pela área que fez o leilão.

“O povo pobre não pagará em hipótese alguma o preço dessa guerra”, disse Lula à época. Com esse histórico, o leilão passou a ter custo político proibitivo.

Autor/Veículo: Eixos