A conta é quase automática para quem dirige um carro flex e costuma variar entre os dois combustíveis: divide-se o preço do etanol pelo da gasolina e, se o resultado ficar abaixo de 70%, escolhe-se o combustível vegetal. Durante anos, essa foi a regra de bolso usada nos postos brasileiros. Só que as últimas mudanças no teor de etanol na gasolina mudaram a conta.
Com a chegada da gasolina E32, que desde 1º de agosto passou a ter 32% de etanol anidro na mistura, o ponto de equilíbrio entre os dois combustíveis mudou. Pela comparação do conteúdo energético, o etanol pode continuar economicamente interessante mesmo custando perto de 78% do preço da gasolina.
Isso não acontece porque o etanol passou a render mais, foi a gasolina que passou a render menos. “Nesse sentido, a gasolina piorou”, resume o engenheiro mecânico Gerson Borini, que tem mais de 30 anos de experiência na indústria automotiva.”Agora, como a gasolina tem mais álcool, você precisa de um volume maior dessa mistura E32 para ter a mesma energia do que precisava antes com E30 ou E27.”
A explicação está na quantidade de energia que cada combustível consegue fornecer durante a combustão. O etanol tem menor conteúdo energético por litro do que a gasolina. Dados de referência utilizados pelo Ministério de Minas e Energia apontam cerca de 32,24 megajoules por litro para a gasolina e 22,36 MJ/l para o etanol.
“Para você ter a mesma energia, precisa colocar mais álcool do que colocaria de gasolina”, explica Borini. Até aí, nada de novo. É justamente dessa diferença que nasceu a famosa regra dos 70%.
Mais etanol dentro da gasolina
A gasolina vendida ao consumidor brasileiro não é ‘pura’. Ela recebe obrigatoriamente etanol anidro – e essa participação vem aumentando. Em agosto de 2025, a mistura passou de E27 para E30. Agora, a gasolina comum avançou para E32: a cada litro comprado no posto, 320 ml correspondem a etanol anidro.
Como o etanol tem menor conteúdo energético, elevar sua participação reduz também a quantidade de energia disponível em cada litro da mistura final.
É isso que desloca a conta a favor do etanol hidratado vendido separadamente na bomba. “Se chegar no posto e o etanol estiver a 70% do preço da gasolina, antes era tanto faz. Agora não é mais tanto faz. Agora vale mais a pena colocar etanol”, afirma Borini. Para ler esta notícia, clique aqui.
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