A Petrobras já tem cinco refinarias adaptadas para fazer o coprocessamento de matéria-prima vegetal para a produção de diesel com componente até 5% renovável (R5), afirmou André Bello Oliveira, gerente de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) e Produtos Sustentáveis da estatal, durante apresentação em evento em São Paulo.
Essa produção atende hoje o mercado voluntário, mas poderá ser elegível para o atendimento da meta de mistura de até 3% de diesel verde prevista na Lei do Combustível do Futuro. Esse mandato, porém, ainda não foi regulamentado. “O coprocessamento é uma rota que consegue produzir um produto de alta qualidade e é uma maneira mais rápida de entrar no mercado”, justificou Oliveira.
Segundo ele, combustível coprocss é a melhor forma de atender à demanda por combustíveis renováveis “na velocidade, no tempo, no custo, e de maneira rápida e eficiente para levar o produto no mercado”. Atualmente, a única empresa que já anunciou um investimento em uma biorrefinaria dedicada à produção de diesel verde (oriundo exclusivamente de matéria-prima vegetal) e combustível sustentável de aviação (SAF) no Brasil foi a Acelen, com um aporte projetado de R$ 12 bilhões.
Já a produção de SAF nas refinarias da Petrobras demanda um adaptação maior e não deve ultrapassar 1% do total de querosene de aviação produzido, segundo Oliveira. Para coprocessar bioquerosene de aviação nas refinarias, a Petrobras precisa alterar o sistema catalítico e adequar as propriedades para garantir que o combustível não congele a temperaturas abaixo de 40 graus, explicou.
Para fabricar o bioquerosene de aviação, a Petrobras já alterou seu sistema na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), que passou a entregar SAF para o aeroporto do Galeão (RJ), e a Refinaria Henrique Lage (Revap), e São José dos Campos (SP). Há planos agora para também adaptar as refinarias de Paulínia (Replan) e a Gabriel Passos (Regap), de Betim (MG). “Na Replan, temos uma parada de oportunidade no fim do ano, [quando] vamos trocar o sistema catalítico”, afirmou.
