Petróleo abre em leve queda e se aproxima de preço pré-guerra

6 de julho de 2026

O preço do petróleo abriu em leve queda neste domingo (5), próximo ao menor patamar desde o início da guerra no Irã, em 28 de fevereiro.

O barril Brent, referência mundial, engatou as negociações da semana com perdas de 0,5%, chegando a ser negociado a US$ 71,75, por volta das 19h (horário de Brasília). Na última sexta (3), a cotação fechou em US$ 72,12. Antes da guerra, em 27 de fevereiro, o valor mais baixo foi de US$ 70,33.

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava cotado a US$ 68,40, desvalorização de 0,55%.

O preço do combustível é puxado para baixo pela decisão da Opep+ (Organização dos Países Exportadores de Petróleo e Aliados) de aumentar as metas de produção a partir de agosto, informada em comunicado neste domingo. A decisão amplia a oferta global em um momento em que os preços do petróleo estão caindo devido à reabertura gradual do estreito de Hormuz para exportações de petróleo.

O grupo de países produtores de petróleo concordou, durante uma reunião online, em aumentar as cotas em 188 mil barris por dia (bpd) a partir de agosto, somando-se a aumentos semelhantes para junho e julho.

Os sete membros centrais da Opep+, que reúne a Opep e produtores aliados, incluindo a Rússia, elevaram suas cotas de produção de abril a julho em quase 800 mil bpd.

Os preços do petróleo estão caindo mais rapidamente após o anúncio de trégua entre EUA e Irã do que projetavam os especialistas. A revista Economist até publicou uma errata sobre sua indicação de que o petróleo ainda estaria na casa dos US$ 88 ao fim deste ano.

“Achávamos que os Estados Unidos e o Irã resistiriam a um acordo para reabrir o estreito de Hormuz: os EUA porque Trump acreditava iludidamente que tinha a faca e o queijo na mão; o Irã porque seu regime sabia que seu povo poderia ser forçado a suportar mais sofrimento”, afirma o veículo em artigo publicado no último dia 2.

“Na verdade, diante da fúria dos motoristas americanos, Trump praticamente cedeu, evitando um desastre. Desde que as duas partes firmaram um acordo provisório em junho, petróleo suficiente tem saído do Golfo para tranquilizar os mercados de que a oferta está voltando ao normal, mesmo que o futuro do estreito permaneça incerto”, acrescentou.

No noticiário do final de semana, EUA e Irã tiveram dias de trégua.

Do lado iraniano, Teerã velou o líder supremo Ali Khamenei, morto em fevereiro pelos ataques aéreos que deram início à guerra. Dezenas de milhares de pessoas se reuniram em um amplo complexo de orações ao ar livre na capital do país, no sábado, para velar os caixões do aiatolá Ali Khamenei e de sua família.

De preto, os manifestantes carregavam bandeiras da República Islâmica e seguravam retratos de Khamenei e de seu filho e sucessor, Mojtaba. O Irã agora organiza uma semana de cortejos fúnebres em massa para o líder supremo, mais de quatro meses depois de sua morte.

Já Trump desafiou tempestades e um calor sufocante para fazer um discurso pelo aniversário de 250 anos dos Estados Unidos.

Em um misto de patriotismo e queixas políticas, Trump subiu ao National Mall e prestou homenagem aos antepassados americanos e veteranos militares, vários dos quais subiram ao palco com ele para saudar uma exibição de bandeiras históricas do país. Ele também celebrou a força militar americana, afirmando ter “aniquilado” o exército do Irã.

O esforço patriótico vem em um momento em que a maioria dos eleitores americanos (58%) diz que a guerra contra o Irã não valeu o custo. O levantamento, feito pelo Financial Times com o Focaldata na semana passada, destaca como o conflito no Oriente Médio está pesando nos índices de aprovação do presidente republicano, às vésperas das eleições de meio de mandato.

Segundo a pesquisa, 44% dos eleitores ainda afirmaram que a guerra deixou os EUA em uma posição mais fraca em relação ao Irã, em comparação com 31% que disseram que o conflito deixou Washington em uma posição mais forte.

A Casa Branca pediu ao Congresso que aprove US$ 67 bilhões em novos gastos federais para cobrir as despesas da guerra até o momento.

(Com Reuters e Financial Times)

Autor/Veículo: Folha de São Paulo

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