Petróleo hoje fecha em alta com impasse sobre Ormuz enquanto Irã exige concessões para reabertura

11 de agosto de 2026

Os contratos futuros de petróleo hoje fecharam em alta diante das dúvidas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz, principal rota marítima para o transporte de petróleo do Oriente Médio. O Irã reafirmou que não pretende liberar a passagem enquanto os Estados Unidos não atenderem a uma série de exigências, aumentando o temor de que a interrupção do tráfego se prolongue.

Nesta segunda-feira (10), o petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, para setembro encerrou em alta de 5,05%, a US$ 82,13 por barril. O Brent, referência internacional, para outubro avançou 4,99%, a US$ 87,72 o barril.
Irã condiciona reabertura a concessões dos EUA

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, afirmou nesta segunda-feira (10) que o país não reabrirá o estreito até que Washington atenda às condições de Teerã. Segundo ele, os Estados Unidos precisam interromper e reparar o que o governo iraniano considera ações ilegais e destrutivas.

Entre as exigências estão a suspensão do bloqueio americano a portos iranianos, o pagamento de indenizações pelos danos provocados pela guerra, o fim das sanções econômicas e a liberação de ativos iranianos congelados.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou nesta tarde a possibilidade de o Irã receber compensação pelos danos provocados pela guerra como condição para avançar nas negociações. Segundo Trump, essa exigência não havia sido apresentada durante as conversas. O presidente americano também afirmou que os iranianos deveriam pagar compensações às famílias de pessoas mortas no conflito.

O secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, Mohammad Bagher Zolghadr, também afirmou que Washington teria de retirar suas forças da região, suspender todas as sanções e liberar os ativos congelados.

As exigências aumentam a distância entre as partes e dificultam uma reabertura rápida da passagem. O Irã mantém conversas separadas com Omã sobre o trânsito de embarcações e a possibilidade de criação de um corredor temporário de navegação, mas Teerã afirma que qualquer retomada efetiva depende de negociações com os Estados Unidos. A resistência de Washington às condições apresentadas pelo Irã reduz as perspectivas de uma solução imediata para o impasse.

Os Emirados Árabes Unidos também afirmaram que o Irã lançou um ataque com míssil contra um de seus navios, outro fator de tensão que ameaça comprometer as negociações e reforça o temor de novas interrupções no tráfego marítimo da região.

Petróleo também entra no cálculo dos juros

O comportamento da commodity ganhou importância adicional para os mercados porque uma alta persistente do petróleo pode aumentar a inflação de energia. Nos Estados Unidos, isso interfere nas expectativas para a política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Na última sexta-feira, o payroll, relatório oficial sobre o mercado de trabalho dos Estados Unidos, dividiu espaço no radar dos investidores com as notícias sobre Ormuz. O relatório veio bem abaixo do esperado: a economia americana fechou 23 mil vagas fora do setor agrícola em julho, ante expectativa de mercado que ia de 10 mil a 140 mil novos empregos, a mediana das estimativas do Projeções Broadcast apontava criação de 80 mil vagas.

Houve ainda revisões negativas para os dois meses anteriores: junho caiu de +57 mil para +20 mil, e maio, de +129 mil para +63 mil, uma revisão combinada de 103 mil empregos a menos do que o inicialmente reportado. A taxa de desemprego, por sua vez, recuou para 4,1%.

No Brasil, o petróleo também influenciou o câmbio, a inflação e os juros futuros. A alta da commodity tende a beneficiar empresas produtoras, como a Petrobras, mas pode elevar as pressões inflacionárias caso persista por mais tempo. Nesta segunda-feira, as ações da petroleira se recuperam após uma forte baixa desde o início da sessão. Por volta das 16h06 (de Brasília), o PETR3 subia 3,76%, a R$ 47,41, enquanto PETR4 caía 3,79%, a R$ 42,42.

O Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic, taxa básica de juros da economia brasileira, para 14% ao ano na semana passada. A decisão deixou os próximos passos dependentes da evolução dos indicadores econômicos.

Nesta semana, o mercado brasileiro ainda acompanha a ata do Copom e o IPCA de julho, enquanto os Estados Unidos divulgam o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) na quarta-feira. O petróleo entra nessa equação porque uma alta prolongada pode dificultar a convergência da inflação e reduzir o espaço para cortes de juros.

Por enquanto, a principal variável para a commodity continua sendo Ormuz. Se as negociações entre Irã, Omã e Estados Unidos avançarem, parte do prêmio de risco incorporado ao petróleo pode ser devolvida. Se o impasse persistir e a interrupção do tráfego se prolongar, o mercado continuará precificando o risco de oferta em uma das principais rotas de energia do mundo.

Autor/Veículo: O Estado de São Paulo