Biocombustíveis contra choque do petróleo

14 de maio de 2026

Em um cenário de incertezas geopolíticas e pressão no preço dos combustíveis devido à escalada do petróleo, a aposta no etanol como solução de amortecimento e, de quebra, sustentabilidade para o mercado doméstico, ganha força no governo.

Nesta quarta (13/5), o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu o aumento na mistura do biocombustível na gasolina, afirmando que os testes já permitem avançar dos atuais 30% para 32%.

“O etanol anidro era 27% na gasolina, passamos para 30%. Os testes autorizam passar para 32%”, disse durante abertura do 4º Congresso Abramilho, em Brasília.

“Hoje, o etanol anidro está bem mais barato do que a gasolina, então tem o ganho econômico, [pois] barateia o preço da gasolina, tem o ganho ambiental e tem o ganho socioeconômico, porque gera emprego no Brasil. Então, está tudo encaminhado para a gente passar de 30% para 32% o etanol na gasolina”, completou.

O aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% precisa ser aprovado pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), cuja reunião prevista para maio foi cancelada e ainda não tem data marcada.

Segundo o MME, a medida será “temporária” e em “caráter emergencial”, mas com prazo de até um ano.

Durante coletiva nesta tarde para anunciar medidas de mitigação sobre o preço da gasolina, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), disse que há “uma maioria absoluta no governo” que entende a importância de avançar para o E32.

Ele evitou, no entanto, indicar quando será a reunião do CNPE para votar a proposta.

Biodiesel segue na luta

O biodiesel, por outro lado, segue cercado de incertezas, muito embora o agro também tenha encabeçado uma campanha em defesa do renovável no deslocamento da demanda de diesel fóssil importado.

Enquanto produtores de biodiesel tentam emplacar aumento da mistura obrigatória, eles esbarram em resistências do governo e distribuidoras de combustíveis que querem conclusão de testes validando novos percentuais.

O tema voltou aos holofotes após uma declaração do presidente Lula (PT), no final de abril, indicando que o governo anunciaria aumento da mistura de 15% para 16% nos próximos dias. O que não ocorreu.

Havia uma reunião do CNPE marcada para 7 de maio com a elevação do teor de etanol na gasolina em pauta, mas sem o B16. Diante da sinuca de bico (não há consenso no governo sobre o biodiesel) e da viagem de Lula a Washington acompanhado de ministros que compõem o colegiado, a reunião acabou cancelada.

“Deveríamos já estar com o B17, antecipando as metas previstas na lei”, declarou o CEO da Binatural, André Lavor, em entrevista à agência eixos durante evento do setor em São Paulo nesta quarta.

A Binatural, uma das dez maiores produtoras de biodiesel do país e a única entre elas especializada exclusivamente no biocombustível, participa do movimento pela retomada do cronograma de aumento da mistura obrigatória.

Hoje, um dos entraves para o país avançar dos atuais 15% de mistura para teores mais elevados é a realização de testes com montadoras que validem seu uso, inclusive considerando a diversidade da frota a diesel do país.

Para o executivo, os testes realizados por iniciativa das empresas ao longo dos últimos anos já comprovaram a viabilidade do aumento gradual da mistura, previsto na lei do Combustível do Futuro, o que permitiria a antecipação das metas previstas na legislação, começando pelo B17.

No mesmo evento, o diretor-geral da ANP, Artur Watt, defendeu que o Brasil antecipe estudos técnicos para aumento da mistura obrigatória de biodiesel e etanol, para que o país possa reagir mais rapidamente em cenários de crise internacional de combustíveis.

“Idealmente, como meta para o futuro, temos que estar com esses testes e percentuais mais avançados e com degraus de previsão de aumento para, por exemplo, em um momento de crise como esse, já estar pronto para aumentar os percentuais”, pontuou. Leia na cobertura de Gabriel Chiappini

Enquanto o CNPE não ocorre, dá-lhe subsídio

Também nesta quarta, o governo lançou mais um pacote de medidas para conter os efeitos da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã sobre o preço dos derivados de petróleo. Em outras palavras, mais subsídio aos combustíveis fósseis.

A principal ação será a criação de uma subvenção, espécie de subsídio pago pela União, para reduzir o impacto do aumento da gasolina e do diesel sobre consumidores e empresas. (Agência Brasil)

O subsídio será implementado por meio de uma medida provisória a ser editada pelo presidente Lula.

Segundo o governo, a ajuda poderá chegar a até R$ 0,8925 por litro de gasolina e R$ 0,3515 por litro de diesel. No entanto, o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, anunciou que, no caso da gasolina, o governo pretende subsidiar de R$ 0,40 a R$ 0,45 por litro no momento.

No caso do diesel, a subvenção de R$ 0,3515 entrará em vigor em junho, quando acabará a redução a zero dos tributos federais.

Autor/Veículo: Eixos

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